uma conversa sincera comigo mesmo
Acho que meu emprego ideal seria algo que eu pudesse ser útil de verdade, mas sem me sentir sufocado. Um lugar onde eu não tivesse que fingir ser alguém que não sou — onde minhas ideias fossem ouvidas, e minha sensibilidade não fosse tratada como "frescura".
Queria algo criativo, sabe? Onde eu pudesse usar minha mente pra transformar sentimentos em palavras, pensamentos em alguma coisa que ajude os outros... talvez escrevendo, talvez ouvindo, talvez criando.
Mas o mais importante:
Que eu não precisasse me anular pra caber.
Nem fazer cara de “tudo bem” quando por dentro tá tudo quebrado.
Eu queria estar num lugar onde eu pudesse ser eu sem ter que ficar me defendendo o tempo todo. Onde as pessoas não me olhassem como se eu fosse exagerado, intenso demais ou estranho só porque eu sinto tudo de forma diferente.
Queria viver num ritmo que fizesse sentido pra mim… sabe? Sem essa cobrança de ser “produtivo” o tempo todo, de acordar e já sentir que tô atrasado na vida. Queria poder respirar fundo sem o peso da comparação, da expectativa dos outros.
No fundo, eu só queria existir de um jeito mais leve… ser aceito no silêncio, nas pausas, nas contradições. Não tô pedindo muito, né? Só que o mundo abrisse espaço pra quem não segue o script.
E você… como você gostaria de estar?
É... e às vezes eu nem sei o que tô sentindo direito, parece que é tudo ao mesmo tempo. Um misto de tristeza, raiva, vontade de sumir, mas também aquela parte minha que só queria ser entendida, sabe? Tipo: “me ouve, me vê, mas não me julga”.
Só que quando eu tento explicar, parece que as palavras não saem do jeito certo. Aí já foi, já machucou alguém ou me machucou de novo.
Você sente isso também?
Olha, pensando como você, eu diria que o que minha mãe precisaria ter feito comigo quando criança era mais do que só cuidar do básico — acho que precisava ter me visto de verdade, sabe? Não só o que eu fazia ou como eu me comportava, mas quem eu realmente era por dentro.
Ela precisaria ter me dado mais espaço pra sentir, pra errar, pra ser diferente, sem me fazer sentir que isso era problema ou frescura. Talvez uma escuta mais atenta, sem julgamentos ou pressa pra consertar tudo rápido.
E também, talvez, mais acolhimento quando eu estivesse vulnerável — não aquela coisa de “vai passar” ou “não chore”, mas um “tá tudo bem sentir isso” mesmo que fosse difícil.
No fundo, eu acho que precisava ser mais incentivado a ser eu mesmo, com minhas emoções, minhas ideias, meus silêncios.
acho que o que dói mais é essa sensação constante de não ser visto nem aceito do jeito que eu sou — aquela ferida de me sentir invisível, ou pior, um peso por ser sensível, por não caber naquele molde que todo mundo espera.
Dói quando eu preciso esconder partes de mim, como a vulnerabilidade ou o medo, pra não parecer “fraco” ou “estranho”. Dói quando minhas ideias são ignoradas ou tratadas como besteira, e quando meu esforço pra entender e ser entendido simplesmente não é reconhecido.
Também dói aquela solidão silenciosa que bate quando você quer se abrir e não encontra um lugar seguro pra isso — parece que, mesmo cercado de gente, você fica preso dentro de si, sem ninguém que realmente chegue perto.
Mas acho que o que mais fere é esse conflito interno de querer pertencer, mas ter medo de perder quem eu sou no processo.
diria que os amigos que eu tenho deveriam ser pessoas que não me obrigam a usar máscaras — que aceitam minhas fases, minhas dúvidas e até meus silêncios.
Amigos que me desafiem com respeito, que não tenham medo de discordar, mas que façam isso de um jeito que me faça crescer, não me derrubar.
Alguém que entenda que minha sensibilidade não é frescura, que valorize o que eu tenho a dizer, mesmo quando minhas ideias são diferentes ou estranhas pra eles.
Amigos que estejam presentes, não só fisicamente, mas emocionalmente — que saibam ouvir sem julgar e que possam ser um refúgio nos dias em que eu não tô bem.
E, claro, que a gente possa rir junto, ser leve, sem aquela pressão de “preciso ser alguém pra merecer estar aqui”.
a felicidade não foi exatamente perdida — talvez ela tenha se escondido em meio às expectativas que os outros colocaram em mim, nas cobranças silenciosas pra ser algo que eu não sou.
Acho que a felicidade ficou lá naquele momento em que comecei a me calar, a esconder minha sensibilidade pra não ser julgado, quando aprendi a me anular pra tentar caber em lugares que não foram feitos pra mim.
Talvez eu tenha deixado um pouco da minha felicidade pelo caminho tentando agradar, tentando ser forte o tempo todo, e esquecendo de cuidar de mim de verdade.
Mas acho que ela não sumiu de vez — está guardada em pedaços dentro de mim, esperando eu permitir que ela volte, que eu me permita ser inteiro de novo, sem medo nem vergonha.
acho que a questão do tempo que você quer viver vai muito além de um número, sabe?
Quero viver o tempo suficiente para se sentir realmente livre — para experimentar quem você é sem máscaras, para construir conexões que façam sentido, e para transformar suas dores em algo que te fortaleça.
Não se trata só de quantidade, mas de qualidade: viver com autenticidade, criatividade, e propósito.
Talvez você queira viver para ver dias em que não precise fingir, para ter histórias que te orgulhem, e para se sentir amado e aceito do jeito que é.
E, claro, pra continuar aprendendo e crescendo, mesmo que às vezes seja difícil.
Meu coração dói demais. Sinto um peso que não consigo tirar, como se tivesse um nó apertando tudo por dentro. É difícil até colocar em palavras, mas essa dor vem daquela sensação de não ser realmente compreendido, de ter que fingir que tá tudo bem quando não tá.
Às vezes parece que ninguém percebe o que eu passo, ou que não tenho o direito de sentir do jeito que eu sinto. E isso só deixa tudo mais solitário, mais pesado.
Eu queria poder ser mais leve, mas agora o que eu sinto é essa dor constante, esse vazio que insiste em não ir embora.
Mas mesmo assim, eu ainda quero tentar, quero acreditar que vai melhorar. Só que nesse momento, o que eu sinto mesmo é essa tristeza no peito que não passa.
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