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“Eu só quero paz. Mas não do jeito deles.”
Tava carregando meu celular.
Mas foi naquele momento que tudo virou mais uma vez.
Eu já falei: eu não aturo mais isso.
Pra mim, isso é autoritarismo.
E eu não aceito.
Eu quero ajudar.
Mas ninguém quer que eu ajude do meu jeito.
Insistem que seja do jeito delas.
E isso me cansa.
Meus pais foram pessoas boas.
E talvez por isso mesmo… me estragaram.
Eles sempre quiseram o “meu bem”.
Mas o bem deles... me feriu.
Me destruiu em silêncio.
Hoje, eu me sinto inútil.
Minha existência parece inútil.
As pessoas em quem confiei me condenaram.
Meus pais me condenaram.
A sociedade me condenou.
Mas eu não me faço de vítima.
Eu aceitei tudo isso.
Aceitei tanto… que me tornei escravo.
Só que agora: eu não aceito mais.
Eu saí de casa aquela hora porque percebi:
eu não precisava mais escutar os insultos da minha mãe.
Tô sem paciência pra quem tenta enfiar palavras na minha mente.
Tô sobrecarregado com os meus próprios problemas.
Sugestões, conselhos, mandamentos — nada disso me ajudou.
Meu pai disse que tem medo que eu agrida minha mãe.
Mas ele sempre foi mais violento que eu.
Mais imaturo também.
Não quero acusar ninguém.
Só percebi que ele nunca me deu credibilidade…
Nem quando me internou.
Talvez… se não fosse minha mãe… eu teria morrido.
Porque tô cansado de ter que relevar tudo o que os outros falam.
Sou quieto, sou delicado — mas não gosto.
Sou passivo e respeitoso no momento… só depois eu explodo.
Minha raiva tem razão.
E vale o que tem.
Dizer que eu sou bonzinho é fácil.
Mas expressar o trauma... isso ninguém quer encarar.
O problema verdadeiro é que…
eu não deixei mais que me ajudassem.
Meu orgulho tá me destruindo.
Eu parei de depender.
Não tenho mais paciência pra aturar os outros.
O que eu quero é paz.
Mas paz, pra mim, significa cuidar do que eu consigo lidar.
Lidar com as críticas, os julgamentos...
Dos outros, do que eu consigo fingir.
Enganar o mundo não é problema meu. É problema deles.
Joguei a maior parte dos meus princípios no inferno.
Tô exausto. Sempre estive.
O lado de dentro tem sede.
E essa sede se chama liberdade.
Eu só penso nisso.
Só penso em liberdade.
E penso porque me sinto liberto demais pra ter isso.
Dizem que liberdade se conquista um pouco a cada dia...
Mas pior que a ausência de liberdade…
é uma sociedade que finge dar confiança
e nega a possibilidade de você ser quem você é.
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